Não poucos filósofos dedicaram-se à análise da amizade, o que revela, por si-só, ser ela algo que todos podem sentir e intuir, mas que é de difícil definição. De Platão a Adorno, muito se refletiu sobre a amizade, nem sempre com coincidência de conclusões. Basta lembrar que Aritóteles, em seu Ética a Nicômacos, relata que alguns estudiosos “definem a amizade como uma espécie de semelhança entre pessoas e dizem que as pessoas semelhantes são amigas”. Outros tantos vêem na amizade uma atração entre contrários; poder-se-ia dizer, uma relação de complementariedade (Kant toma esta trilha).
A amizade difere do amor, ainda segundo Aristóteles, exatamente pelo aspecto da reciprocidade. É possível amar-se algo ou alguém sem que este saiba, corresponda ou possa corresponder ao amor que lhe é dedicado. A amizade, ao contrário, só se manifesta entre pessoas que se querem bem reciprocamente. Cabe notar, entretanto, que o conceito de amor empregado por Aristóteles não se restringe ao relacionamento humano, pois para ele as pessoas amam o que é bom, agradável ou útil, donde se extrai que o objeto do amor pode ser animado ou inanimado, real ou mesmo ideal.
Esta idéia de cuidado recíproco, de amor recíproco, com a justa distribuição da felicidade entre os homens, já se fazia presente em Aristóteles, que em uma de suas obras menciona, pois quando “as pessoas são amigas não têm necessidade de justiça, enquanto mesmo quando são justas elas necessitam da amizade; considera-se que a mais autêntica forma de justiça é uma disposição amistosa.”


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